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Quando a sociedade tentou impor limites, ele transformou a própria história em visibilidade e luta por direitos

Por trás de cada dado, de cada estatística sobre pessoas com deficiência no Brasil, existem histórias reais. Histórias atravessadas por desafios, mas também por força, consciência e resistência. A de Matheus Menezes Matos, 25 anos, morador de Goiânia (GO), é uma delas.


Formado em Direito desde 2023, Matheus carrega não apenas um diploma, mas uma trajetória marcada pelo enfrentamento diário de uma sociedade que ainda insiste em olhar o nanismo com estranhamento e preconceito.


“Desde quando eu tive a ciência, a noção que eu tinha uma deficiência, o nanismo, foi um desafio muito grande. Até a gente aceitar que vai viver com essa condição o resto da vida é muito difícil. Até porque a sociedade enxerga quem tem nanismo diferente dos demais. Mas a gente é só pequeno no tamanho”, explica.


A infância, como ele relata, foi o período mais difícil. Até os 14 anos, lidar com a própria condição significava também enfrentar o ambiente escolar despreparado, não apenas emocionalmente, mas estruturalmente.


Segundo ele, “as escolas não estão preparadas para receber pessoas com nanismo.” Essa fala de Matheus expõe uma realidade ainda persistente no Brasil: a falta de acessibilidade adequada, que vai muito além de rampas e elevadores. Trata-se de pensar o corpo diverso em sua totalidade, incluindo adaptações que respeitem diferentes estaturas e necessidades.


Com o tempo, no entanto, veio o amadurecimento. E com ele, uma virada fundamental: o reconhecimento de si.


“Hoje, com 25 anos, eu lido muito tranquilamente com isso. Eu sei da minha capacidade, de onde eu quero chegar, meus objetivos de vida e o quanto eu vou ter que lutar para conseguir. Eu vou até o fim pelos meus sonhos. Então, não é o meu tamanho que vai delimitar o que eu sou”, afirma


Mas o caminho até o sonho, tem sido marcado por obstáculos que extrapolam o esforço individual, que ele transformou em força para falar sobre representatividade.


Nunca se falou tanto sobre direitos e espaços para pessoas com deficiência em funções estratégicas. Nos últimos meses, mesmo com as críticas e brincadeiras com a estatura, Matheus segue firme.


Ele já prestou seis concursos públicos. Em Minas Gerais, chegou mais perto da aprovação, quando, foi reprovado no Teste de Aptidão Física (TAF).


Matheus transformou sua história individual em uma causa coletiva. E com isso, deu voz aos direitos das pessoas com deficiência, não só quem tem nanismo.


Sua fala ecoa um ponto central nas lutas contemporâneas por inclusão: não se trata apenas de acesso, mas de permanência com dignidade e equidade. E, mesmo com o sonho interrompido em Minas Gerais, ele não recua. “Eu não vou desistir”, afirma


Mais do que uma trajetória pessoal, a história de Matheus se torna também mensagem, especialmente para crianças e jovens que crescem enfrentando as mesmas barreiras que ele enfrentou.


“O tamanho não vai determinar o que elas pretendem ser no futuro e o que elas são no presente. A gente só é diferente no tamanho por causa de uma condição genética”, reitera


Matheus deixa uma reflexão que sintetiza sua visão de mundo: “O tamanho de uma pessoa mede-se do ombro para cima. O que importa é o intelecto e o cognitivo”, disse.


Em um país onde o capacitismo ainda estrutura muitas práticas institucionais, histórias como a de Matheus não podem ser vistas como exceção, mas como evidência de que há algo urgente a ser transformado.

Porque quando o direito não se adapta à realidade dos corpos, ele deixa de ser direito, e passa a ser barreira.


A luta de Matheus é, portanto, maior do que um concurso. É sobre o reconhecimento pleno de que pessoas com deficiência não precisam provar que são capazes: precisam apenas que a sociedade deixe de impedir que elas sejam.


Obrigado, Matheus! Sua história nos inspira e inspira nossas crianças.

Não vamos parar!

 

 
 
 

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