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Muito além do jogo: Copa de Futsal de Nanismo transforma quadra em espaço de luta, identidade e inclusão

  • há 12 minutos
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Criada a partir da necessidade de gerar oportunidades, a competição nacional reúne atletas de diferentes regiões do país, fortalece a representatividade e enfrenta o capacitismo ao colocar pessoas com nanismo no centro do esporte competitivo


A Copa do Brasil de Futsal de Nanismo não nasce apenas como um evento esportivo. Ela surge como resposta a uma ausência histórica: a falta de espaço para pessoas com nanismo no esporte competitivo brasileiro. Idealizada a partir do movimento de atletas e dirigentes que já atuavam no cenário inclusivo, a competição se consolida como um marco ao criar oportunidades reais, promover visibilidade e reposicionar o olhar da sociedade. Dentro de quadra, o que se vê vai além do desempenho técnico.


São histórias de superação, construção de identidade e pertencimento que, a cada edição, desafiam o preconceito e reafirmam que o esporte — como direito — precisa ser, de fato, para todos. Conversamos com José Carlos Rosário, o Zeca, presidente da COBEN (Confederação Brasileira de Esportes para Pessoas com Nanismo), que nos contou sobre a organização desse grande evento.


Como surgiu a ideia de organizar a Copa de Futsal de Nanismo e qual é o principal objetivo do evento?


A Copa nasce de uma necessidade real: criar oportunidades. Durante muitos anos, pessoas com nanismo ficaram à margem do esporte competitivo no Brasil. A ideia surgiu a partir do movimento de atletas e dirigentes que já atuavam no cenário inclusivo e perceberam que era hora de estruturar uma competição nacional. O principal objetivo é promover inclusão, dar visibilidade e desenvolver o futsal como modalidade estruturada para pessoas com nanismo.


O que essa iniciativa representa hoje para a visibilidade das pessoas com nanismo no esporte?


 Representa um marco. Hoje, conseguimos mostrar que pessoas com nanismo não apenas participam, mas competem em alto nível. A Copa coloca esses atletas no centro do debate esportivo e social, quebrando estigmas e ampliando a representatividade. Inclusão e representatividade


De que forma a Copa contribui para ampliar a inclusão de pessoas com nanismo na sociedade?


A inclusão acontece quando criamos espaços reais de participação. A Copa abre portas, conecta atletas, famílias e instituições e mostra para a sociedade que o esporte é para todos. Ela inspira outras pessoas com nanismo a saírem do isolamento e buscarem o esporte.


Qual é o impacto desse tipo de evento na autoestima e na construção de identidade dos atletas?


 O impacto é profundo. O atleta passa a se reconhecer como protagonista. Ele veste uma camisa, representa um estado, entra em quadra e é aplaudido. Isso fortalece identidade, autoestima e senso de pertencimento.


Vocês percebem mudanças na forma como o público enxerga o nanismo a partir de iniciativas como essa?


 Sim, claramente. O público começa a enxergar o atleta antes da condição. Há uma mudança de olhar — do preconceito para o respeito. Preconceito e barreiras sociais O preconceito ainda é uma realidade no esporte para pessoas com nanismo? Como ele se manifesta? Infelizmente, ainda existe. Ele se manifesta muitas vezes na forma de subestimação, invisibilidade e falta de oportunidades. Não é só o preconceito direto, mas também a ausência de espaço.


A Copa também funciona como uma forma de enfrentamento ao capacitismo? De que maneira?


Sem dúvida. A Copa é um instrumento de combate ao capacitismo porque mostra capacidade, desempenho e competitividade. Ela desconstrói a ideia de limitação e mostra potencial.

Que tipo de transformação vocês esperam provocar no olhar da sociedade? Queremos que a sociedade enxergue igualdade. Que o respeito seja natural e que oportunidades não precisem ser reivindicadas, mas garantidas. Dimensão do evento


Quantos atletas e equipes participam desta edição da Copa?


 Nesta edição contamos com 4 equipes representando diferentes estados do Brasil, reunindo dezenas de atletas diretamente envolvidos na competição, além de comissões técnicas. Há representantes de diferentes regiões do Brasil? Sim. Temos equipes de diferentes regiões, como Sudeste, Sul e Nordeste, o que fortalece o caráter nacional da competição.


Existe crescimento no número de participantes em relação às edições anteriores?


 Sim, o crescimento é constante. A cada edição percebemos mais interesse, mais atletas e maior engajamento institucional. Desafios técnicos e organização

Quais são os principais desafios técnicos na organização de um campeonato como esse? Os desafios passam por logística, captação de recursos, estrutura adequada e formação de equipes. Ainda estamos em fase de consolidação, então cada edição exige muito planejamento.


Existem adaptações específicas nas regras, quadra ou dinâmica do jogo?


O futsal segue a base das regras oficiais, com ajustes pontuais quando necessário para garantir segurança e melhor dinâmica de jogo, respeitando as características físicas dos atletas.


Como é o preparo físico e técnico dos atletas? Existe treinamento específico?


 Os atletas treinam regularmente, com foco em resistência, agilidade e técnica. Muitos já vêm desenvolvendo um trabalho contínuo em seus estados.


A arbitragem e a comissão técnica passam por alguma preparação diferenciada?


 Sim. Existe uma orientação específica para que todos compreendam as características da modalidade e conduzam o jogo com qualidade e segurança. Impacto esportivo


Como vocês avaliam o nível técnico da competição hoje?


 O nível técnico tem evoluído bastante. Hoje já temos equipes organizadas, atletas com bom preparo e jogos competitivos.


A Copa tem contribuído para o desenvolvimento de atletas e formação de equipes mais estruturadas?


 Sem dúvida. A competição estimula os estados a se organizarem, treinarem e se prepararem melhor.


Existe alguma articulação para ampliar esse tipo de competição em nível nacional ou internacional?


Sim. Nosso objetivo é fortalecer o calendário nacional e ampliar conexões internacionais, inclusive com futuras participações em competições fora do país. Histórias e bastidores Há alguma história ou momento marcante de edições anteriores que represente o espírito da Copa? Um dos momentos mais marcantes é ver atletas que nunca haviam jogado uma competição oficial entrando em quadra pela primeira vez e sendo aplaudidos. Isso representa tudo.


 O que mais emociona vocês ao acompanhar os jogos?


 A entrega dos atletas. A superação, o espírito coletivo e a alegria em estar ali. Futuro e legado


Quais são os próximos passos para fortalecer o futsal de nanismo no Brasil?

Ampliar o número de equipes, estruturar campeonatos regionais e fortalecer parcerias institucionais e patrocínios.


O que ainda precisa avançar em termos de políticas públicas, incentivo ou visibilidade?

Precisamos de mais apoio governamental, incentivo financeiro e espaço na mídia. O esporte inclusivo ainda precisa ser mais valorizado.

 

Que mensagem vocês gostariam de deixar para quem ainda não conhece o esporte ou nunca assistiu a uma partida?


Venham assistir. Vocês vão encontrar talento, emoção e competitividade. Mais do que isso, vão enxergar o esporte em sua essência: inclusão, respeito e superação.


 
 
 

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