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Maternidade sem manual: “criar um filho com nanismo nos anos 90 era um ato de coragem e resistência”, conta professora do Paraná

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Nos anos 90, Helena enfrentou sozinha o desafio de criar um filho com nanismo, sem apoio do sistema de saúde nem compreensão da própria família. Hoje, ela relembra esse caminho marcado por amor e resistência.



Nos anos 90, pessoas com deficiência eram amplamente invisibilidades. A deficiência era vista mais como uma limitação individual do que como uma questão social, e, muitas vezes, tratada com preconceito, paternalismo ou silêncio. 


O nanismo, em particular, não era sequer reconhecido oficialmente como deficiência pela maior parte da sociedade. Pessoas com nanismo enfrentavam barreiras diárias, mas raramente eram incluídas nas discussões sobre acessibilidade, direitos ou inclusão. Na prática, isso significava estar um passo — ou muitos — atrás das outras pessoas com deficiência, sem políticas públicas específicas e sem reconhecimento do próprio direito à diferença.É nesse contexto que a professora do ensino fundamental Helena Ramos Cavalcante, moradora de Londrina (PR), criou seus dois filhos: Rogério Cavalcante, de 38 anos, que não tem deficiência, e Renan Cavalcante, de 34 anos, que nasceu com nanismo diastrófico.


 Neste bate-papo com a Annabra, ela compartilha os desafios de criar um filho com nanismo em uma época marcada pela falta de informação, de acolhimento e de rede de apoio — e pela força de uma maternidade que resistiu.


Annabra - Como você descobriu a deficiência do Renan? Como foi esse momento para sua família?

Helena - Descobri no primeiro exame de ultrassom. Fiquei muito perdida, eles não sabiam me explicar exatamente como meu filho seria e me disseram que eu poderia tirar se quisesse. Mas, isso nem passou pela minha cabeça, sempre quis ter meu filho. Minha família tentava agir como se nada estivesse acontecendo, mas a cada ultrassom eu me fortalecia no meu propósito.


Annabra - E como foi depois do parto? Teve orientação médica para os cuidados?

Helena - Renan nasceu com pé torto, fez 8 cirurgias para correção em Curitiba, capital do Estado. Gastamos muito, as coisas foram ficando difíceis financeiramente. Meu casamento naufragou. Eu só pensava em fazer tudo pelo Renan, em transformar ele em uma pessoa normal. A fase da não aceitação foi difícil. Hoje eu acompanho o grupo da Família Annabra no WhatsApp e vejo as pessoas se ajudando e penso como foi difícil para mim porque quando o Renan nasceu não havia esse tipo de rede de apoio. Eu me sentia muito sozinha nas decisões de como enfrentaria o mundo com ele.


Annabra - E como você superou essa fase?

Helena – Eu fui aprendendo com o próprio Renan a aceitar a deficiência e as coisas foram se encaixando. Escola, depois faculdade, compramos o primeiro carro. Na nossa cidade não havia autoescola para que ele tirasse a carteira para carro adaptado e o Renan ficou um tempo em Bauru (SP), sozinho, para fazer a autoescola. O médico do Detran falou que ele teria que provar que ia conseguir dirigir pois achava inviável com a sua deficiência. Renan saiu com o médico pela cidade no carro da autoescola e provou seu valor.


Annabra - E hoje como você pode descrever a sua vida e a do Renan?

Helena - Eu e o Renan moramos na mesma cidade, ele mora sozinho em um apartamento próximo ao escritório da empresa que trabalha. Ele é solteiro e leva uma vida de um rapaz da idade dele e tem muitos amigos. E eu dou aquele suporte de mãe sabe? Arrumo faxineira, as vezes mando comida, levo as roupas para reforma na costureira. E assim somos muito companheiros e nos divertimos muito juntos. 



 
 
 

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