NOTA DE REPÚDIO

A Associação Nanismo Brasil – ANNABRA manifesta seu repúdio às declarações do médico e ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que associam a presença de pessoas com nanismo a algo “estranho” ou a uma circunstância que justificaria desistir de uma viagem de avião.
E é importante registrar: não se trata de um episódio isolado.
Segundo reportagem publicada em 2 de outubro de 2026, Mandetta voltou a relatar uma situação envolvendo pessoas com nanismo e uma viagem de avião. A matéria também recupera uma fala semelhante feita por ele no Flow Podcast, em 2021.
No episódio mais recente, antes de uma transmissão do IBES, Mandetta teria afirmado que, caso houvesse “alguma coisa estranha acontecendo”, não viajaria e, na sequência, iniciou o relato mencionando a presença de uma pessoa com nanismo na sala de espera.
Quando uma associação dessa natureza é repetida publicamente, ela deixa ainda mais evidente a necessidade de discutirmos o capacitismo presente na linguagem e nos imaginários construídos sobre as pessoas com nanismo.
Não é piada e nem superstição, muito menos, uma história engraçada para ser repetida. Isso tem nome e se chama CAPACITISMO.
Quando a existência de uma pessoa com nanismo é apresentada como algo estranho, motivo de receio, constrangimento ou mau presságio, reforça-se um imaginário que, durante décadas, transformou corpos de pessoas com nanismo em objeto de riso, espetáculo, curiosidade e estigma.
Pessoas com nanismo não são presságio, motivo de medo ou uma situação “estranha”. São PESSOAS!
E palavras têm consequências: elas chegam às crianças com nanismo que enfrentam olhares, piadas e comentários na escola. Chegam aos adolescentes que estão construindo sua identidade e autoestima. Chegam aos adultos que ainda precisam reivindicar respeito nos espaços públicos, no mercado de trabalho e na vida cotidiana.
A situação se torna ainda mais grave quando esse tipo de manifestação parte de um médico que já ocupou o cargo de Ministro da Saúde do Brasil.
Quem exerceu uma das mais importantes funções públicas na área da saúde tem uma responsabilidade ainda maior sobre as mensagens que reproduz e ajuda a naturalizar na sociedade.
E justamente neste Outubro Verde, mês em que ampliamos a conscientização e o enfrentamento ao preconceito contra as pessoas com nanismo, precisamos dizer com absoluta clareza: o preconceito não pode continuar sendo disfarçado de humor, medo, superstição ou “história para contar”.
A ANNABRA trabalha para que nossas crianças cresçam em uma sociedade na qual não precisem explicar por que merecem ser tratadas com dignidade.
Trabalhamos para que pessoas com nanismo possam ocupar aeroportos, escolas, universidades, hospitais, empresas e todos os espaços da sociedade sem que sua simples presença seja transformada em motivo de estranhamento.
Por isso, a ANNABRA considera necessária uma retratação pública diante das pessoas com nanismo e de suas famílias.
Combater o capacitismo também significa interromper a normalização de discursos que desumanizam, ridicularizam ou transformam a diferença em motivo de medo ou estranhamento.
Antes da deficiência, antes da estatura, antes de qualquer diferença, existe um ser humano.
ASSOCIAÇÃO NANISMO BRASIL – ANNABRA
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