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Mãe denuncia escola por omissão diante de casos de bullying contra filha com nanismo

Após inúmeras tentativas de diálogo com a direção da escola e o registro de um Boletim de Ocorrência (BO), a empresária Gislaine Felice, de São Carlos (SP), decidiu tornar público o caso de bullying vivido por sua filha, Gabriela Vitória de Oliveira, de 13 anos.


Gabriela, que tem nanismo, é estudante do 8º ano de uma escola particular da cidade. Segundo a mãe, a adolescente está matriculada na instituição há três anos, mas as situações de violência e exclusão passaram a ocorrer de forma recorrente desde fevereiro deste ano.


"Desde fevereiro, eu e meu marido estamos em contato com a direção e a coordenação da escola pedindo providências. Eles dizem que vão resolver, mas, na prática, nada acontece", relata Gislaine.


Diante da falta de respostas efetivas, os pais registraram um Boletim de Ocorrência no dia 16 de junho. De acordo com o documento, Gabriela foi vítima de exclusão durante uma atividade no laboratório de Ciências.

"À medida que as outras alunas iam se sentando, estendiam os braços e colocavam seus materiais sobre os lugares ao lado, impedindo minha filha de sentar-se com as colegas. Ela acabou ficando completamente isolada, inclusive durante o intervalo", descreve o registro.

Segundo Gislaine, o episódio é apenas um entre diversos casos enfrentados pela filha ao longo dos últimos meses. A família afirma que também tentou conversar com os pais de alguns estudantes envolvidos, mas não obteve retorno.


"Nossa família inteira está sofrendo com essa situação. Não é apenas a Gabriela", desabafa a mãe.


Nas redes sociais, a própria adolescente decidiu compartilhar seu relato na esperança de conscientizar outras pessoas sobre os impactos do bullying.


"Muitas vezes acontecem piadas, imitações e exclusão nos trabalhos em grupo. Eu quase sempre sou a última a ser escolhida por ser diferente", escreveu.

Gabriela também descreveu o impacto emocional provocado pelas agressões diárias.

"Dói sentir os olhares, ouvir as risadas e entrar na sala de aula com medo, sentindo-se sozinha. O bullying não é brincadeira. Se você está passando por isso, não fique em silêncio."

Bullying é violência e precisa ser combatido


Casos como o de Gabriela evidenciam que o bullying contra pessoas com nanismo ainda é uma realidade em muitas escolas brasileiras. A exclusão, as ofensas, as imitações e as humilhações não fazem parte do processo educativo e podem causar graves consequências emocionais, sociais e psicológicas.


A escola tem o dever legal de prevenir e enfrentar situações de bullying, promovendo um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo para todos os estudantes. O silêncio e a omissão contribuem para perpetuar a violência.


A ANNABRA reforça que nenhuma criança ou adolescente deve enfrentar esse tipo de situação sozinho. É fundamental que famílias, educadores, gestores escolares e toda a comunidade escolar atuem conjuntamente para garantir respeito, inclusão e dignidade às pessoas com nanismo e a todas as pessoas com deficiência.


 
 
 

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